Espaço de reflexão e de partilha dinamizado pelos professores do Grupo de Educação Especial de S. B. Messines
14 de Outubro de 2012

publicado por utmessines às 19:18
05 de Outubro de 2012

publicado por utmessines às 13:59

Outubro 2012, Documento de Partilha do Grupo de Educação Especial de São Bartolomeu de Messines

 

O aluno disléxico apresenta um historial de fracassos  e de cobranças que o fazem sentir incapaz - motivá-lo, exigirá de nós um grande esforço e disponibilidade.

 

“Não receie que o seu apoio/atenção vá acomodar ou diminuir a sua responsabilidade - depois de tantos insucessos e  fraca auto-estima – é natural que demore mais tempo a reagir e a retomar a confiança em si próprio”.

 

Como melhorar a auto-estima:

q       Incentive o aluno a restaurar o confiança em si próprio - valorizando-o e deixando que este se sinta útil;

q       Realize acertos e não enfatize os erros;

q       Valorize o esforço e o interesse do aluno;

q       Não o pressione - pois o que ele faz é o que ele é capaz de fazer no momento;

q       Não deixe que este se sinta incapaz - ajude-o a superar as suas dificuldades;

q       Respeite o seu ritmo - os alunos com dificuldades de linguagem apresentam problemas ao nível processamento da informação - precisando de mais tempo para pensar e reagir;

 

 

 

Sugestões de actividades:

q       Estimule a expressão oral;

q       Fale com clareza e dê instruções/orientações curtas e simples;

q       Verifique se os TPC foram compreendidos e anotados correctamente;

q       Ensine e oriente o aluno a organizar-se no tempo e no espaço;

q       Verifique se o aluno é capaz de ler e compreender o enunciado/questão - se necessário leia-lhe as instruções;

q       Tenha em conta as dificuldades específicas do aluno e as dificuldades da língua – sempre que corrigir os trabalhos;

q       Ajude o aluno a aprender - adquirindo hábitos e métodos de trabalho/estudo;

q       Evite os exercícios repetitivos e numerosos;

q       Dê explicações de como fazer sempre que possível, posicionando-se ao seu lado;

q       Utilize o computador, mas certifique-se de que o programa é adequado ao seu nível - crianças com dificuldade de linguagem são mais sensíveis às críticas, e o computador, quando usado com programas que emitem sons estranhos cada vez que a criança erra, só reforçará as ideias negativas que elas tem de si mesmas e aumentará sua ansiedade;

q       Permita o uso do gravador - para posterior análise/síntese da informação;

q       Esquematize o conteúdo das aulas sempre que o assunto for muito difícil para o aluno - esquemas claros e didácticos – assim, saberá se está a adquirir os principais conceitos da matéria;

q       Realize demonstrações e apresente filmes para enfatizar as aulas, variar as estratégias e motivá-los – estes, auxiliam na integração da modalidade auditiva e visual , e a discussão em sala que se segue auxilia o aluno organizar a informação - por exemplo: para explicar a mudança do estado físico da água líquida para gasosa, faça-o visualizar uma chaleira com a água fervendo;

q       Evite que o aluno leia em voz alta perante a turma - ele tem consciência de seus erros e a maioria dos textos do seu nível são difíceis para ele.

 

 

Os alunos disléxicos podem ser bem sucedidos numa classe regular - o sucesso dependerá do cuidado em relação à sua leitura e das estratégias usadas.


Avaliação de alunos disléxicos:

As crianças com dificuldades ao nível da linguagem têm dificuldades na realização das fichas de avaliação - não conseguindo ler todas as palavras das questões e não percebendo, na maioria das vezes, o que é solicitado.

Para além disto, apresentam dificuldades em escrever as respostas, a sua escrita é lenta e não conseguem terminar dentro do tempo estipulado.

Aconselhamos que, sempre que elabore, aplique e corrija as avaliações do aluno com dislexia, especialmente as realizadas em sala de aula, adopte os seguintes procedimentos:

q       Leia as questões/problemas com o aluno, para que ele entenda o que lhe está a ser exigido;

q       Manifeste a sua disponibilidade para lhe esclarecer todas as dúvidas;

q       Conceda-lhe o tempo necessário para realizar as fichas de avaliação com calma;

q       Quando recolher a ficha de avaliação, verifique as respostas -se for necessário - confirme com o aluno o que ele quis dizer e anote as suas respostas;

q       Durante a correcção, valorize ao máximo a produção do aluno – não esquecendo que, frases aparentemente sem sentido, palavras incompletas ou gramaticalmente erradas não representam conceitos ou informações erradas;

q       O professor pode e deve realizar avaliações orais.

 

Se o disléxico não consegue aprender da forma que ensinamos - temos que ensinar da forma que ele aprende.

 


 

publicado por utmessines às 13:56
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